Ficha 4 -
É mais difícil defini-la do que contar como nasceu, porque tudo depende do que se entende por “educação” e por “desenvolvimento”. As mudanças que se têm vindo a operar ao longo das últimas décadas atingem todo este tipo de conceitos, renovando-lhes sucessivamente o significado. Assim continuará a ser, exigindo-nos um esforço permanente de conhecimento, reflexão, comunicação - e desse modo estaremos já em plena prática de Educação para o Desenvolvimento (ED).
A Educação para o Desenvolvimento surge no contexto dos processos de descolonização do pós-guerra e das campanhas humanitárias que se lhe seguem. Nessa altura pensava-se o futuro da humanidade como uma linha ascendente guiada pela noção de progresso, compreendida como sinónimo de crescimento económico.
Entre os países industrializados e os países ditos subdesenvolvidos cria-se o elo da Ajuda ao Desenvolvimento. Na Europa - antes devastada pela guerra e agora em fase de reconstrução e enriquecimento - a lembrança do sofrimento, a culpabilidade pela colonização e os sentimentos religiosos de piedade pelos mais desprotegidos propiciam o lançamento de acções junto das populações “ricas” com o objectivo de prestar auxílio aos “países pobres”.
As Organizações Não-Governamentais (ONG) quiseram também participar neste movimento, em grande parte assegurado pelas Igrejas. O público europeu torna-se então “alvo” de campanhas de sensibilização, desenvolvendo-se assim sentimentos de compaixão face às situações de pobreza e miséria que ocorriam noutros continentes, com o intuito de angariar recursos financeiros (fundos) e humanos (voluntários) necessários à concretização de projectos nesses lugares distantes.